Leka e Kaverna

Thursday, December 17, 2009

Wednesday, December 02, 2009

Público Acadêmico no Espeto

Quando fui assistir à peça “Biriba no Espeto” do grupo Circo Teatro Biriba de Santa Catarina, no último dia 19/11, dentro dos eventos do “Segundo Encontro de Artes Cênicas do Cerrado”, às 20h, UFU Santa Mônica, sala 3M do Bloco de Teatro, numa proposta de palco italiano, deparei-me com um sofá (e objetos que formavam uma sala de estar) e confesso que esses elementos me incomodaram logo de início, uma vez que vinha a minha mente a idéia de um espetáculo realista. E espetáculos realistas já não conseguem prender minha atenção.
O tal objeto não deixou dúvidas, e mais, tive a impressão de estar assistindo algo tão ruim e sem graça quanto ao programa dominical “Turma do Didi” da Rede Globo de televisão: piadas chatas, gagues ultrapassadas, riso gratuito e atores de péssima qualidade.
O espetáculo era uma comédia que mostrava as dificuldades de uma cia teatral e as atitudes desastradas do palhaço Biriba, empregado da mesma, na tentativa de montarem um espetáculo. Era visível que os atores não tinham uma formação em teatro (acadêmica ou cursos especializados), faltava atitude corporal e cênica, a forma de representação era caricatural, artificial, exagerada, assim como os figurinos, maquiagens e canções utilizadas em cena.
A história fraca foi arrastada por quase duas horas, fazendo com que muitas pessoas deixassem a sala antes do término da peça. E a grande maioria presente era o público universitário do curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia, quem conseguiu ficar até o final não gostou. Claro, estamos numa academia, estudando teatro, aprendendo que teatro é muito mais que um texto decorado, que há toda uma simbologia, ressignificação, poética da cena, trabalho corporal do ator envolvendo-o, e de repente nos barramos com um espetáculo desse nível? Não era para menos.
É sabido que o grupo Circo Teatro Biriba, tem um nome, uma tradição circense de 29 anos de estrada, mas o público acadêmico para o qual apresentaram nessa noite anseia por muito mais que esquetes já conhecidas e desgastadas. O público acadêmico não estava preparado para Biriba e vice-versa.
E o palhaço Biriba percebeu que realmente estava no espeto, sendo assado com seu grupo aquela noite, tanto o é, que aproveitou a tensão que foi instaurada na platéia para jogar com a mesma, dizendo que não estávamos rindo, que não estávamos gostando, que a organização do encontro iria fuzilar o Abílio Tavares (curador) mais tarde, etc. Conversou com os expectadores ao final da apresentação, defendendo-se, falando sobre e do trabalho do grupo.
Como já disse, não gostei do espetáculo, mas, o respeitei, até porque sei que existem vários tipos de teatro, o da academia, o da escola, o da igreja do meu bairro, o da comunidade X, o de circo. E como acadêmica, tenho que ter os parâmetros para julgar um espetáculo, não posso comparar a trupe do Biriba com a magnitude do grupo Galpão (que também se apresentou no encontro com o espetáculo “Till, A Saga de um Herói Torto). Creio que como uma estudante de teatro, eu tenha que respeitar a forma de fazer teatro que cada um acredita e que tenho também que ver muito teatro, de todas as espécies e qualidade para cada vez mais poder formar minha opinião e criticidade.

Monday, November 30, 2009

Folha branca



Na cinza manhã chorosa, não por manha, mas pela MAL/DITA angústia da incerteza, quero colorir com Ravel e Portinari a folha branca a minha frente.

E fico a olhar as tintas. Explosão de cores tantas, quentes cores, mas que meu pincel não alcança.

E fico inerte, a olhar as cores (agora) frias que não me inspiram.

E fica só o branco.
Branco...
Na branca folha...
que reflete o branco da minha pele
sem vida.

Thursday, November 26, 2009

...

Eu quero sentir as coisas de verdade. É uma ambição?

Saturday, November 14, 2009

Essa sou eu!!!





(Obrigada Susu, pelo texto, por me definir... veio no momento oportuno... até chorei, talvez pela música que escutava enquanto lia: Till The End Of Time, do filme "Pequena Miss Sunshine")

"Liberdade é o melhor sinônimo para pessoas intensas. Precisam ter seu espaço.
O segundo lema é: Viver um grande amor. Amam como se aquela fosse a primeira vez ou como se aquela fosse a última chance de amar.
Buscam insensantemente a felicidade, pois não se consideram felizes, apenas tem crises de felicidade.

Pessoas intensas não gostam de seguir regras.
São muito transparentes, mas por serem assim, são alvo fácil de gente com caráter duvidoso.
Deteeeeeeeestam pessoas comuns, previsíveis.
São atraídas por pessoas inteligentes, com boas e interessantes conversas.
Choram pra valer.
Riem pra valer.

super críticas, exigentes, mas ao mesmo tempo calorosas nas emoções.
São especialmente sensíveis, se apegam e lembram dos detalhes mais sutis.
Por natureza são animadas, vivazes, se desequilibram e se recuperam rapidamente.
Tem facilidade de aprendizado e uma boa imaginação, de uma criatividade incessante.

Pessoas de ações impulsivas, com mudanças bruscas de humor.
Com pensamentos rápidos, e rapidez ao falar e agir mas com tendência à dispersão. Muito comum os outros perguntarem aonde estão os pensamentos.

Quem aguenta e entende coisa tão complexa? Doce complexidade eu diria.
Pessoas intensas podem morrer antes do previsto, mas nunca podem ser acusadas de não terem lutado e tentado fazer seu melhor. E quando aprendem uma lição, pode não parecer, guardam para sempre as lições ensinadas e, principalmente, QUEM as ensinou."
.Yvanna Saraiva .

Monday, November 09, 2009

Nháaaaaaaaaa...

Estou doente... e eu odeio ficar doente porque simplesmente eu não posso ficar doente! Meu tempo é altamente marcado, cronometrado, as 24 horas do dia, são muito compromissos... sei exatamente quanto tempo posso gastar no banho, no sono, pra comer, opa, pensei demais, o ônibus passou!!! SOCORROOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!! 5h50 acordar, 7h no Trabalho, 13h15 no ponto pra ir pra Faculdade, 14h aula, 17h40 tempo pra passar cenas, 19h aula, 23h chego em casa e tenho que comer e tomar banho, além de deixar tudo arrumado para o outro dia, 00h15 eu apago!!! E PAM, o celular desperta e começa tudo de novo... e assim não bebo água direito, não como direito, não uso o banheiro direito, logo: ESTOU DOENTE!!!

Wednesday, October 28, 2009

Artaud!!!

O ódio bicho do mato sou que mata de ódio que morre de ódio que mata o ódio e o amor que é sujo e puro gordura ruim colesterol do ódio que mata de tanto respirar e arder de doer o ódio que cerca que mata que morre fênix tão sujo e puro o ódio seco e mudo que gria ao respirar...

Lilás dor cheiro de maçã
Dói tão doce
tão macia
Que é gostosa de doer
Dói e fica
Dói, mas sai
Dói, mas volta
Dói como pedra...
Pedra que queima...
Lilás.

Abraços-Há braços
1.cigarro
2.maracujá
3.terra
4.sexo
5.seio
6.Seda Ceramidas
7.dinheiro

Uma cadeira. Um ser. Outro ser, de quatro. Ambos de costas um para o outro. Frases. Amor, ódio, aceitação.

LOUCURA
Toque. Cheiro. Gosto. Sexo. Toque. Mãos. Loucura Compartilhada. Loucura Assumida. Virando cimento. Vai-Vem. Vem-Vai. Chão. Cheiro de fruta fresca. Sabor de fruta mordida. Fiapos vivos nos dentes: pentelhos. Sexo. Doce. Mel. Sexo. Loucura compartilhada e assumida. Amarelo manga. Verde Kiwí.

OUTRA VEZ
Morte. Sangue. Carne viva. Ferida e vermes fétidos que roem o cadáver... "O defunto nem sabe que morreu." "As mortas são uma simpatia". Coração, músculos, tripas. Vísceras expostas. Nojo. Riso nervoso. Riso da morte. Morte viva, latente, pulsando, morte fétida. Eu quero vomitar. EU QUERO VOMITAR. QUERO VOMITAR... VOMITAR! AAAAAAAAAHHHHHHHH
"Quando digo que vai acontecer alguma coisa grave, quero dizer LOUCURA, MORTE..."

Sal e Mel


Sal e mel. Sal amargo. Mel fétido. E a ferida coberta, entreaberta, (re) aberta, molhada de sal e mel.Prazerosa dor que o tempo insiste em fazer voltar-revoltar com tanto sal e mel. Meu sal amargo. Seu mel fétido. E faz rir, melhorar, curar, arder, coçar, ferir, doer. Soçobrar numa noite, por uma semana, dois meses. E renascer do sal e mel que se misturam num ritual de fogo e canções ensandecidas cujos refrões alucinógenos desejam mil glórias. Sal paraíso. Mel inferno. E no cadafalso ecoando "The Grand Duel" tarantinado, quem se esfalfelará mais? Quem aguentará até o final enquanto os cortes são banhados de sal e mel? Quem de nós dois? Quem é o mais forte?
Quem cederá? Quem será o maldito arrivista? Ou não haverá quem o seja entre nós? Haverá apenas essa guerra sal e mel? Eterna em mim até quando? Por que você se limpa tão fácil e eu fico cansada, suada, melada de um amargo fétido, sempre? Sal e mel... sempre.

Monday, September 28, 2009

FESTIVAL LATINO AMERICANO DE TEATRO

Assistindo ao FESTIVAL LATINO AMERICANO DE TEATRO, intitulado Ruínas Circulares, que aconteceu na cidade de Uberlândia do dia 05/09 ao dia 20/09 desse ano, encantei-me com duas peças, em particular: Nuestra Señora de Lãs Nubes do grupo Malayerba de Quito-Equador e A Brava da Brava Companhia de São Paulo-Brasil. A poética de ambas me emocionou profundamente e me fizeram pensar muito a respeito do meu papel como atriz, encenadora, dramaturga (que um dia serei).
A respeito da Encenação, Nuestra Señora de Lãs Nubes e A Brava se diferem em muitas coisas, mas se aproximam em outras. Listarei abaixo algumas das constatações a que cheguei após apreciação das mesmas.
NUESTRA SEÑORA DE LAS NUBES: utilizou palco italiano, e carece de uma iluminação para causar certos efeitos, imagina a cena da velha sem aquela luz? A música (som mecânico) tem o intuito de causar a emoção nos atores e em quem assiste. Dois atores fazem vários papéis, prezando as diferentes identidades dos habitantes da cidade e a transformação se dá na frente da platéia. Há quebra da 4º parede na cena dos irmãos falando das garotas, pois as moças da platéia são as inspirações para a cena. O palco é desnudo, cada personagem porta uma mala de onde saem os objetos que vão dar vida a peça, com sua simbologia e ressignificação. O estar longe da terra natal (tema da peça) é mostrado de forma ora dramática ora cômica. Percebe-se algo como os viewpoints no processo de criação, não sei se consciente (provavelmente nem é esse nome que usam para o processo), e ali tinha corpos vivos, dispostos, pulsantes apesar da idade dos atores.
A BRAVA: o espaço utilizado é o aqui/agora da rua, no caso, o estacionamento do Mercado Municipal de nossa cidade. Não há iluminação especial, começou com o fim da tarde daquele domingo e terminou quando já era noite. A música do espetáculo é tocada e cantada ao vivo, serve como explicação dos fatos que se desenrolam e também causa a emoção. Quatro jovens atores fazem os vários papéis da saga de Joana Darc com sua bela atitude de buscar caminhos opostos a padrões pré-determinados pela sociedade. Não há 4º parede, a rua, os sons, as pessoas (inclusive uma vendedora de balas que para no meio do caminho da cena) dão os estímulos para a peça, que tem a participação ativa do público. Uma espécie de palco/palanque móvel e algo como um trono compõe o ambiente da peça, que muda de espaço, os objetos em cena são ressignificados e simbólicos (uma coroa que não consegue ficar na cabeça de um príncipe, insiste em cair, é muito forte) . A história da brava heroína nos é apresentada com um humor anárquico e mistura cultura popular ao pop. Para o processo de criação é visível o estudo/prática de danças/canções populares, circo e cultura pop (alusão a filmes recentes campeões de bilheteria como Senhor dos Anéis, Harry Potter, Piratas do Caribe a até ao desenho mais assistido da década de 80: Caverna do Dragão; rock and roll para as aitudes dos inimigos, intrigante o tal “Rock da Condenação”; coisas que consumimos no dia-a-dia, por exemplo, que delícia escutar um duque se chamar Jhonny Walker Red Label). A energia dos atores era incrível.
Dizer de qual das duas gostei mais é crueldade, mas, talvez pelo contato com o público e pelo tema, A Brava tenha ganhado uns pontos a mais comigo, teatro de rua é realmente uma panacéia...

Friday, September 25, 2009

Fragmentos de 15 de abril

Momento 1...
É daqueles dias que você se sente meio não sei quê, meio não sei quando, meio não sei onde. Você parece tão distante... enquanto isso, na feira do povo, os macaquinhos alegres tocam seus tamborzinhos até suas cordas acabarem.
TICTACTICTACTICTACTICTAC...
Pausa! Ufa! Mas, não por muito tempo, logo vem alguém para dar corda novamente e fazer a alegria massa da massa.

Momento 2...
Enquanto o oriente me presenteia com "pianadas Beethovenescanas", ma-ra-vi-lho-sa-men-te, meu coração dividido lamenta: A henna desperdiçada e a "doação ilimitada a uma completa ingratidão".

Momento 3...
Na bat caverna é seguro, mas seus arredores não... é possível escutar os complôs cochichados, sentir os olhares envenenados, perceber os dedos sequiosos por roubo.
CUIDADO! Passe a chave na bat caverna ao entrar e sair!

Sunday, September 13, 2009

07-09-09

Hoje acordei pensando no conceito de amizade... principalmente por causa dessa fase em que eliminei pessoas do meu orkut, msn, e-mail, agenda de telefones, da minha vida. Nessa fase em que os "verdadeiros amigos" estão sendo vitais perante as coisas difíceis que passei e passo esse ano. Que máscaras caem, ah, eu já sei. Que às vezes precisamos de anos para conhecer o caráter de alguém, também já sei... o que descobri há bem pouco tempo, mas que já se transformou em prática constante em minha vida é: eu preciso mesmo que esses falsos, filhos da puta, façam parte da minha vida? Eles vão entrar no meu espaço? Hahaha, claro que não!
Quando me dei conta dos valores da amizade que envolve o "meio" do qual tenho que passar a maior parte do meu dia, entrei em crise... sofri mesmo, mas tomei uma atitude, rompi com esse antro de lixo.
Vou citar alguns dos valores defendidos por tais pessoas:
1.Competir de forma cruel para atingir seus objetivos profissionais ou pessoais;
2.Relacionar por puro interesse com quem tem carro, grana, casa para as festinhas de orgia;
3.Ser legal é pagar uma bebida, descolar um beck, ser de todo mundo;
4.Dependendo do interesse, aquela pessoa que ora era criticada, agora vira um "amigo" para todas as horas;
5.Pessoas se aliam para ferrar outras;
6.As pessoas que criticam suas atitudes, de repente estão fazendo 10 vezes pior que você;
7.Há uma rebeldia SEM CAUSA que vira libertinagem sem ética;
8.Respeito não existe;

Certeza que existe muito mais coisa para ser dita, mas as que citei já dão um panorama do que eu evito para minha vida há poucos meses. Não vou ser hipócrita, eu mesma já colaborei com alguns desses itens, mas fico muitíssimo feliz de ter acordado antes que fosse tarde.
A-DO-RO sair, beber, falar e fazer besteira, sair do sério. Mas, tenho plena consciência de não estar fazendo mal aos meus semelhantes e sem atitude estúpidas só para provar que sou FODA DEMAIS!!!
É por isso que me decepciono tanto com as pessoas, por não ter coragem de fazer mal a elas (graças a boa educação que recebi de minha íntegra mãe), penso que elas também não farão mal a mim. Ledo engano, pouco se importam, danem-se meus sentimentos...E é aí que me ferro!!! OPAAAAAAAA, espera aí, stop... ferrava, porque agora acabou, não tenho mais paciência para desculpas e chances. Não quero essas pessoas na minha casa, nem na mesma mesa de bar, se dermos o azar de nos encontrar no mesmo ambiente, que fiquem beeeeeeeeeeeemmmmmmmmmmmm longe de mim...

Agora é assim, elimino mesmo!!!

Saturday, August 15, 2009

Nietzsche... de novo!!!

"Para se relacionar com o outro, você precisa primeiro relacionar-se consigo mesmo. Se não conseguimos abraçar nossa própria solidão, simplesmente usaremos o outro como um escudo contra o isolamento. Somente quando consegue viver como águia, sem absolutamente qualquer público, você consegue se voltar para outra pessoa com amor, somente então é capaz de se preocupar com o engrandecimento do outro ser humano."

"Você consumiu sua vida? Você viveu sua vida? Ou foi vivido por ela? Escolheu-a? Ou ela escolheu você? Amou-a? Ou a lamentou? Eis o que quero dizer quando pergunto se você consumiu sua vida. você a esgotou? Ou, impotente, lamenta a vida que nunca viveu? Toda a vida não vivida ficará latejando dentro de você invivida por toda a eternidade. A voz ignorada de sua consciência continuará chamando para sempre."

Tuesday, August 11, 2009

Mais uma de Nietzsche...

"Viva enquanto viver! A morte perde seu terror quando se morre depois de consumida a própria vida! Caso não se viva no tempo certo, então nunca se conseguirá morrer no momento certo."

Friday, July 17, 2009

Obrigada, Nietzsche...

"...os amantes da verdade não temem águas tempestuosas ou turvas. O que tememos são águas rasas!"

Saturday, July 11, 2009

Afrodites Modernas



Personagens:
Andréia
Carla
Garçom

Boate, um balcão e bancos. Duas mulheres sentadas. A cena inicia-se com a canção “Tudo Pode Mudar” da banda Metrô (depois várias músicas de boate ficarão tocando). Após o refrão:

(Andréia): Ele não vem.
(Carla): Parece mesmo que não vem.
(Andréia): Melhor ir pra casa. Acordo cedo amanhã. Que burra sou, achei mesmo que um cara que conheci à tarde na internet fosse aparecer num encontro real?
(Carla): Não acredito! Mulher, acorda, você acredita nessas “palhaçadas” virtuais?
(Andréia): Acreditei, ele parecia tão sincero, romântico: “sou aquele amante que manda flores, abre a porta do carro”. Hunf, Paulo 36.
(Carla): Esses “Dom Juans” modernos... como me enojam. E você um tanto sonsa, não? Uma vez saí com um cara da net. Júlio 29. Alto. Sarado. Loiro. Olhos verdes. Dragão chinês tatuado no braço, que braço. Que noites ele me propiciou naquele frio mês de julho...
(Andréia): Acabou?
(Carla): Descobri depois que era casado há um ano, tinha uma filha recém-nascida. Tirava a aliança quando estava comigo.
(Andréia): Canalha!
(Carla): Mas eu não me importava nem um pouco. Eu gostava de estar com ele. Seus beijos, seu toque, seu cheiro, seu jeito de me amar, sempre tão homem!
(Andréia): Por isso que eles fazem o que fazem, nós, mulheres, nos permitimos.
(Carla): Qual o seu nome?
(Andréia): Andréia, prazer... Sabe, a verdade é que eu queria que tudo fosse normal.
(Carla): Normal. Mas o que é normal? Casar, ter filhos, ser fiel? Estudar, trabalhar, prosperar, formar uma família e morrer? Acredita em príncipe encantado, Andréia?

Silêncio

(Andréia): Mas há mal há nisso?
(Carla): E que bem? Homem não é o objetivo primordial da minha vida. Não busco alguém. Faço outras coisas, vivo, mas de repente acontece.
(Andréia): Eu busco alguém. Pra dividir sonhos, pra dividir a cama, pra me completar. Mas nem sei mais se quero isso.
(Carla): Completar... completar? Como pode pensar assim? É tão estranho isso, não somos seres completos? Ai, imagino as pessoas andando por aí, faltando pedaços e tentando encontrar o pedaço que falta. Como me aflige... eu sou completa!
(Andréia): Seu nome, por favor?
(Carla): Eu sou Carla. Carla e Andréia, duas mulheres que levaram um fora numa noite de quinta-feira. Juntas, numa boate, num fim de festa, discutindo “homem e cia”, que coisa bela!
(Andréia): Daria um livro.
(Carla): Prefiro um filme ou uma peça de teatro.

Passa o garçom.

(Carla): Garçom, mais uma tequila.
(Andréia): Um coquetel de frutas, por favor.

Silêncio. Carla acende um cigarro. Andréia observa. Retorna o garçom com as bebidas. Serve as moças.

(Carla): Hum, gatinho ele. Se ele quiser, rola! Sabe, eu não busco homens, busco pessoas...
(Andréia): Você é homossexual?
(Carla): (sorrindo) Cada um sabe o que faz.
(Andréia): Não sei se daria conta, acho que nunca faria isso!
(Carla): Cuidado, nunca é muito forte!
(Andréia): Ai, não sei, acho que não!
(Carla): Ah, querida, minhas primeiras experiências amorosas foram com mulheres, eu até gostava, engraçado. Mas, notei que faltava algo, até que uma vez, numa festa, aconteceu.
(Andréia): Aconteceu?
(Carla): De sentir cheiro de homem, da barba de homem roçando meu pescoço. E então nunca mais parei.
(Andréia): Normal.
(Carla): É, “normal”.
(Andréia): Eu me prometi hoje que essa seria minha última tentativa de conhecer alguém bacana, se não desse certo, ah, eu ia virar a maior “femme fatale” desta cidade. Já estou cansada, esses homens sempre nos dando rasteiras, nos destroçam a auto-estima.
(Carla): Certeza. Já teve um cara que eu mal conhecia e que soltou “eu te amo” em nosso primeiro encontro, bem na hora que estávamos na cama... Andréia, um homem é capaz de tudo pra conseguir o que quer...
(Andréia): Malditos sejam!

O garçom passa perto delas.

(Carla): Outra tequila!
(Andréia): Uma soda.
(Carla): Soda?
(Andréia): Eu trabalho amanhã...
(Carla): Nada de soda... traz uma garrafa de tequila.
(Andréia): Está certo.

Carla senta-se no balcão ao lado de Andréia. Chega a tequila. O garçom as serve, brindam. Garçom sai. Trevas. A cena volta a ficar iluminada e a garrafa de tequila já está quase no fim.

(Andréia): Criação. Filha única. Não podia sair nem pra comprar pão sozinha na esquina.
(Carla): Sei bem como é isso, conheço uma moça que foi criada assim também, ela se revoltou. Geralmente quem é educado assim, o dia que ganha a liberdade... acha que é libertinagem!
(Andréia): Não sei se faria isso com meus pais... ai, essa tal de tequila é muito forte...

Enchem seus copos.

(Carla): Um brinde à amizade que começou hoje!
(Andréia): Tim-tim! (viajando em lembranças) Eu já tive um noivo! Namoramos três anos. Daí ele recebeu uma proposta pra trabalhar na França e me pediu que fosse com ele. Não fui. Não podia deixar minhas coisas aqui, meu trabalho, sou dentista. Daí ele foi... e um belo dia descobri via orkut que ele estava namorando uma francesa. Ele nem chegou a terminar comigo oficialmente.
(Carla): Acho que você fez bem em não ter ido... a gente não pode largar nada por ninguém. (cantando) “Eu não abro mão nem por você nem por ninguém, não me desfaço dos meus planos, quero saber bem mais que os meus 20 e poucos anos”.
(Andréia): É... não abro mão... (e vira o copo)
(Carla): Ponto positivo pra você. Olha, mas vou lhe confessar, nem sempre fui assim não, já esperei o amor da minha vida, esperei, esperei, e um dia o moço apareceu: “chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado.” Chegou metendo a mão na maçaneta da minha vida e foi entrando sem pedir licença. /e por um tempo achei que era feliz, pois na verdade não era. Era um relacionamento em que só eu doava, não havia troca, então me senti sugada. Mas quando notei isso, não hesitei, eu o expulsei da minha vida e jurei que seria diferente. E foi. Escuta, temos as agulhas e a linha em nossas mãos, nós tecemos nossa vida, estamos no controle.
(Andréia): Foi bom escutar tudo isso... vou ao banheiro e quando voltar, vamos dançar?
(Carla): Sim, vamos.

Andréia sai. De repente começa a tocar “Uma Louca Tempestade”, da cantora Ana Carolina. Carla começa a cantar. Volta Andréia que dá um show de sensualidade cantando a canção e dançando com Carla. Quando a música está quase no final, Andréia puxa Carla e olhando bem nos olhos da moça, sorri e lhe beija ardentemente. Carla e o garçom que mais uma vez por ali passava, ficam boquiabertos. Sem palavras. Continua a beijar Carla deslizando a mão até seu sexo, mas constata uma surpresa...

(Andréia): O quê? Homem? Você é homem? (Para o garçom) Meu Deus, ela é um homem, eu beijei um travesti! (Fica meio alucinada) Um homem! Um travesti! Não acredito! Um ótimo jeito para começar a minha vida de “femme fatale”! (E começa a rir freneticamente, os outros dois ficam em silêncio observando-a até que rindo ainda como louca sai de cena).
FIM.

(Escrito by Leka Massensini)

Thursday, July 02, 2009

José




Um salão de festas pós-festa de aniversário (à fantasia), muita sujeira e bebida espalhada, silêncio profundo. José, fantasiado de Pierrot, está sentado em uma cadeira no centro, sozinho, tem um copo de uísque vazio na mão direita, está bêbado e reflexivo.


Nada. Nada restou. Acabou a “porra” da bebida. E a merda do cigarro. Ah, e os calhordas vieram todos, todos! Beberam, comeram, se pegaram pelos cantos escuros, se “empanzinaram” e foram embora. Hipócrita de mim que os convidei, uns falsos que me parabenizaram, trouxeram presentes e elogiaram a festa. E Dulcinéia... Dulcinéia não veio. Cara, mas como sou idiota, achei mesmo que ela viria? Burro! Ela não veio. E se não a tenho mais, por quem serei um cavaleiro andante que cavalga com o peito ardente? “O sonho acabou”, já disseram antes. A-CA-BOU! Foi embora. Fugiu, escafedeu-se! Sempre soube que acabaria no buraco com essa mulher, alertaram-me os calhordas, os filhos e até a ex-mulher... mas quis me deixar cair mesmo assim, pra ver a profundidade do “caralho” do buraco. “Puta” buracão! “Puta” consumista! Ela só ligava para o dinheiro e para o filho da mãe do Sid. Maldito labrador do inferno! Que Cérbero lhe dilacere a carne podre após a sua morte! Quantos mil reais essa cadela gastou no último aniversário dele? Era o meu dinheiro, meu dinheiro! E hoje no meu, nem um telefonema sequer. Se ela soubesse que já senti vontade de envenenar Sid. Ele com tanto, eu com nada. Algo como: Clodovil morreu e seus pobres cãezinhos de estimação vão para Paris morar com um amigo querido do falecido versus o pobre cão de rua acorrentado e privado de água e comida por um artista (tenho minhas dúvidas) numa dessas Bienais de Arte por aí. Quem vai ganhar a atenção de Dulcinéia? Façam suas apostas! (grande silêncio) Eu sou o cão morto dessa Bienal! Já Sid... (silêncio)
Eu preciso esquecer. Acho que vou para Minas por uns dias. Ah, velha Minas, que saudades das brincadeiras de quintal, dos primeiros beijos atrás do coreto, dos bailes sextas à noite no Café Moreira, das tardes conhecendo Shakespeare na biblioteca, do sorvete de passas... Ô saudade danada! (silêncio) Mas isso não há mais para mim, acabou! Assim como acabou essa festa de aniversário ridícula que fiz. E assim como acabou meu uísque, meu cigarro, Minas se foi, é outra agora, viva o progresso capitalista! Acabou aquela que eu amava. Igual acabou Dulcinéia. (silêncio) Estou velho e sozinho.
E eu? Quando vou acabar? Quase acabei aquela vez, mas esse coração de ferro mineiro é muito forte ainda, hihihi, eita nós! E apesar desse corpo cansado e desse cabelo prata, o trem de ferro cruza minha aorta e nada o detém! (silêncio) Quer dizer, o trem bala pode, ah, ele me faz ser lento... o trem Dulcinéia, com tantas viagens, tantos convites, tantas festas, o trem bala voa, e eu, sempre o trem de ferro mineiro. (silêncio) Acho que já estou acabado!
E agora, o que eu faço? O quê? (cantarola) “O Pierrot apaixonado chora pelo amor da colombina, e é sua sina chorar por alguém...” (silêncio) É, vou comprar cigarros! (Sai)


(Monólogo escrito by Leka)

São Paulo



São Paulo (banda Invasores de Cérebro)

"Nós somos da cidade de São Paulo
Aode o Punk é pra valer
Aonde você vai morrer, onde a noite é das gangs
Nas esquinas das quebradas, nos bailes da cidade, nos clubes da pesada
SP, onde o Punk é pra valer
Em SP tudo pode acontecer
Em SP, onde você vai morrer, vai morrer, vai morrer

Isso é porque nós somos da cidade de São Paulo
Aode o Punk é pra valer
Aonde você vai morrer, onde a noite é das gangs
Nas esquinas das quebradas, nos bailes da cidade, nos clubes da pesada
SP, onde o Punk é pra valer
Em SP tudo pode acontecer
Em SP, onde você vai morrer, vai morrer, vai morrer

São Paulo, cidade perigosa
São Paulo, cidade violenta

Vejam bem ao andar nas ruas de São Paulo
Mas muito cuidado ao andar por ruas e calçadas
Vocês podem ter uma grande surpresa..."

Monday, June 29, 2009

Thursday, March 12, 2009

...

A vida é muito mais que uma picuinha por causa de um copo sujo na pia!!! A minha sim, a sua, não sei...

Wednesday, March 04, 2009

O caso do Marlboro

O texto abaixo é do meu amigo Eduardo...

Daqui um tempo que só Deus sabe, no Domingão do Faustão, um depoimento que vai sensibilizar:

"Olha Faustão [pausa]... hoje eu vou confessar, [pausa dramática]...eu, uma vez estava num bar com uns amigos, e ela estava na mesa do lado,... [gaguejando] fui eu quem pegou o Marlboro da Leka Massenssini, ela ficou muito nervosa e alterada, aproveitei um momento de de descuido dela... Mas, Faustão, não foi por mal, eu estava sem cigarro aquela hora, não tinha grana pra comprar, e a Leka Massensini com certeza tinha, olha, quero aproveitar e pedir desculpas pra ela, depois te tanto tempo, não sei se ela vai aceitar, eu realmente estou arrependido...[passando para um tom conciliador]... Leka, parabéns pelo sucesso, e um conselho: na próxima vez, guarde bem seu Marlboro... [risos cínicos]... kkk"

Thursday, February 26, 2009

Triângulo

Andréia entrou cedinho no banheiro com aquele seu ar sempre doce de todo santo dia. Cláudio permanecia deitado sob os lençóis, indiferente àquela manhã ensolarada de domingo. Dane-se a “porra” da manhã de domingo, dane-se tudo, dane-se a Andréia. Deixou os pensamentos subirem, sumirem...
Dois anos de namoro e sempre fiéis, sempre juntos, sempre unidos nas tristezas e alegrias, nos apertos financeiros. E agora então que ele havia saído há seis meses da casa da mãe para conquistar sua tão sonhada independência, Andréia dava a maior força. Ajudava a fazer as compras do mês para que na lista do supermercado não entrasse apenas miojo, salsicha e cerveja, ensinava o namorado a cozinhar e até realizava um ou outro afazer doméstico para agradá-lo.
Andréia era a caçula entre quatro irmãos, haviam perdido a mãe há três anos, o pai morreu quando ela ainda era um bebê. Trabalhava como recepcionista num consultório psiquiátrico durante o dia e à noite fazia a faculdade de Pedagogia. Coitada, sempre apressada, mal via o namorado durante a semana. Mas, quando chegava a sexta-feira, ele a esperava na saída da aula, depois de ter jogado uma pelada com os amigos da loja de materiais de construção, após o trabalho, numa quadra ali perto, e ao final terem bebido umas geladas no boteco do seu Zé. Tomavam dois ônibus para irem a casa dele. E lá chegando, a Babilônia se construía, com seus jardins suspensos e tudo. Faziam amor tantas vezes, em tantos lugares diferentes e na preguiça e desejo de seus corpos, comiam pães de queijo amanhecidos, sabor paixão, escutando os cds de hip hop dele, que ela estava aprendendo a gostar e a cantar. E tudo só acabava quando, no domingo à noite, Cláudio deixava Andréia no ponto de ônibus com um beijo demorado.
Tudo tão perfeito! Não brigavam nunca, não davam motivos para ciúmes, falavam em casamento, mas para quando ela se formasse, arranjasse um emprego melhor, saísse daquele consultório de doidos, como Cláudio sempre falava. Queriam dois filhos, um casal, mas que fosse feita a vontade de Deus.
Teve aquele dia, há quatro meses, que Andréia ligou para Cláudio do serviço:
_ Benzinho, vou falar bem rapidinho porque estou atarefada. Tenho uma novidade: meu irmão comprou uma máquina de lavar roupas e como não vamos mais usar o tanquinho, ele pediu pra eu lhe emprestar até você comprar um.
Ah, um tanquinho de lavar roupas, maravilha moderna. Tudo bem, o tal é até barato, mas Cláudio estava gastando quase todo o seu dinheiro com as prestações da casa que morava. E um tanquinho, não precisar mais ficar esfregando roupa com escova, por de molho. Bastava por no tanquinho, bater brancas e coloridas separadas, fechar o ralo do tanque, passar em três águas, no último enxágüe por uma tampa de amaciante. Pronto. Apaixonou-se pelo tanquinho.
Não via a hora de chegar em casa, arrancar a roupa suja e vê-la batendo no novo brinquedo. Batendo, batendo, espumando, espumando, gozando. Houve dias em que não havendo roupa suja para ser lavada, ele retirou roupas limpas do armário só para ter o prazer de lavá-las. Adquiriu o estranho hábito de lavar roupas completamente nu. E ao dormir, sonhava com o tanquinho que apelidou de Espumante. Até mudou seu jeito com Andréia nos fins de semana, estava indiferente, ela sempre bem-humorada, percebeu, mas achava que era o estresse causado pela situação financeira sempre difícil, mas, ela tinha a certeza que logo tudo passaria. Não passou.
A pobre moça chegou a pensar que era porque ela insistia em adiar essa história de casamento e filhos para depois da formatura. Transavam ainda, mas o que ela não sabia era que Cláudio só tinha ereção porque pensava em Espumante. Certa vez ele teve um acesso de ira ao acordar e presenciar a namorada lavando roupa. Deu-lhe um empurrão que a moça foi parar em outro cômodo da casa. Ela chorou. Ele a abraçou, disse que nunca mais, que andava nervoso com a falta de grana. Ela, sempre boa, ofereceu dinheiro emprestado, atrasaria a prestação do computador. Ele recusou, claro. E os dias passando...
Mas ali, naquela ensolarada manhã de domingo, estava ele, deitado sob os lençóis, enquanto ela, sempre doce, sempre bem-humorada, sempre boa ainda estava no banheiro. Ele matutava uma forma de terminar o relacionamento com a namorada sem perder Espumante. E se ele a comprasse? E se fugisse com ela? E se Andréia morresse? E se... mas, de repente a porta do banheiro se abre e surge Andréia, sempre doce, sempre bem-humorada, sempre boa, só que dessa vez com os olhos marejados de lágrimas e um sorriso misterioso, mágico, que só as mulheres têm. Cláudio, indiferente a olha. Ela caminha até ele, pára, sorri suspirando, lhe estende a mão e lhe entrega o resultado do teste de gravidez de farmácia que acabara de fazer.

Tuesday, February 24, 2009

Scrap de um grande amigo...

"Sabe que ontem eu assisti uma entrevista na TV de uma professora de teatro que me deixou super orgulhoso, foi muito bom ver difundido o trabalho que ela faz em um dos NAICAS da Prefeitura... e ver as crianças trabalhando e fazendo do teatro a sua forma de expressão, foi o máximo...!
Quando eu encontrar essa professora, quero abraçá-la e mais uma vez lhe dizer que o trabalho dela é revolucionário e está plantando frutos sem precedentes de tão valiosos, e que o Deus do Teatro, o poderoso Dionísio a proteja e ilumine nesta missão.

=]"

E essa professora de quem ele fala, sou eu!!! Valeu, meu grande amigo Eduardo...

Tuesday, February 10, 2009

Insônia



Maldita insônia
1h23 da manhã
Respiro fundo, reviro, conto
E essa angústia que não sai
Prenúncio de algo?

Água, banheiro, janela aberta,
mas não há vento.
Então ouço...
O automóvel que tenta pegar lá embaixo
Os gatos no cio
Alguém que revira na cama no apartamento de cima
Minha angústia
O que está acontecendo?

Penso em sexo
Uso a mão e conto: 1,2,3,4,5,6 vezes...
Sem pensar em nada, sem pensar em quem
E o sono não chega
E a angústia não sai
O que está acontecendo?

Ouço...
A coruja ao longe
Os cães que distantes se falam
Sinto calor, mais nada
E na cama, estatelada
Nem dormindo, nem acordada
Só essa sensação ruim
Esse nó no peito
Esse aperto na alma
Por quê?

2h13 da manhã
Água...
Sento na cama
Acendo a luz
Papel e caneta
Olhos vermelhos
Angústia.
Consigo ver luzes lá fora
Dou dois espirros
Escuto um apito, um automóvel que passa, um cão
E essa dor de algo que não sei?
Insônia e angústia
Medo!

Thursday, January 29, 2009

A boneca manca

O presente preferido foi dado por ele: a bonequinha manca que sorri segurando a placa com a frase mágica. Provavelmente ele chegou, viu, gostou e escolheu, com certeza não teve o olho clínico analista detalhista que nós mulheres lançamos a tudo que nos importa e não importa. E por isso mesmo, o presente é o meu preferido, escolhido espontaneamente. Ele nem percebeu que a bonequinha tinha um defeito. E por isso mesmo, eu gostei. Por isso mesmo. Gostei da sua imperfeição e sua plaquinha com a frase, a tal frase, a tal que muitos almejam, outros desprezam, e que é a mais importante e a que dá medo. A que muda tudo...
Talvez ele saiba que sou essa boneca cocha que ainda sorri apesar dos invernos castigantes das últimas décadas. A boneca que também castigada, levanta a plaquinha da esperança aos transeuntes, esperando a moeda da verdade.
Talvez ele tenha me presenteado com a bonequinha manqueba porque também saiba que é um anjo torto de asas esgarçadas, que sabe que “se chamasse Raimundo seria uma rima e não uma solução”...
E agora, aqui, neste quarto doente, eu me olho nela, boneca-espelho, e penso nele. Fico cá, ele lá, seres imperfeitos e com a nossa saudade perfeita.
(By Leka)

Beijos Preferidos



Meus beijos preferidos?
São os que molham
ardentes, quentes
profundos...
Língua entrando,
língua saindo.
Hum, mordiscadas e gemidos...
Meus beijos preferidos,
são doados,
de verdade.
Nunca mendigados!
(By Leka)

Homenagem...

Eu recebi esta mensagem de uma pessoa muito especial e senti que por mais que penso que não sou importante pra ninguém, sem querer, se está fazendo a diferença pra alguém...

"Lê!
Queria ver se você ainda está em Minaçu. Quero te entregar o vídeo da homenagem que fiz pra você há mais de um ano. Tentei mandar por e-mail, mas não deu, o arquivo é grande. Tenho ela em CD, volta e meia reviro, revejo, dá uma baita saudade de você, dos tempos em que passávamos juntas, você me ajudando sempre, sempre me incentivando e me demonstrando que eu realmente tinha valor. Quero que saiba mais uma vez da admiração que tenho pela sua força, a sua enorme garra em realizar seus sonhos, sua autenticidade;
Sei que o vídeo ficou com muitos defeitos; as fotografias ficaram borradas (são da época em que quanto mais photoshop tinha na fotografia, mais bonita esta ficava - rezava a lenda), o começo é de certa forma enjoativo por enrolar demais, tem muuuito 'falha-nossa', mas queria que você considerasse apenas a essência de tudo isso; pelo menos a tentativa de demonstrarmos o amor que sentimos por você, acho que isso é o que realmente importa.
Certa vez um tio meu me disse que conforme a gente vai crescendo e relembrando nossos tempos passados, fotografias e bilhetes, relendo diários e conversas, nós cada vez mais nos sentimos ridículos, e desaprovamos certas ações que fizemos outrora. 'Éramos ridículos e não sabíamos', ele diz.
Eu de certa forma até concordo com ele, e tenho esse vídeo como prova! hehehe, mas acredito nós a cada dia passamos por experiências que nos fazem amadurecer. Acredito que a vida é como um laboratório de experimentos, onde nós ficamos misturando diversas substâncias em um mesmo tubo de ensaio, testando dores, sabores, odores; vendo qual a melhor mistura, o que combina com o que. Mas todos os nossos erros em medidas e substâncias nos ajudam a fazer a 'fórmula ideal da vida'. E é pensando nisso que eu quero te agradecer por ter 'me aturado' por tanto tempo, por ter elogiado meus textos, mesmo eles sendo tão confusos e melancólicos. Por você ter me ajudado a amadurecer e a enxergar o mundo de uma forma ampla, e não tão hermética quanto o pensamento de alguns minaçuenses. Obrigada por me ensinar a ouvir músicas boas, a apreciar a vida e a lutar por aquilo que sonho. Você é prova viva de que sonhar vale a pena, não importa o tempo que demore; sua essência é uma das melhores 'misturas' que eu pude ter em meu laboratório, é uma fórmula rara, dessas tão valiosas. Eu era ridícula, mas me apoiei em 'ombros de gigantes', e foi com você que pude ver além do horizonte.
Torço muuito pela sua felicidade, sempre e para sempre!
Beijos
Amanda Laíza"

Tuesday, January 06, 2009

Pescaria


Sentados aqui
nesta nuvem embebida em acetona
cantamos os mortos...
e segurando nossas varas
pescamos estrelas
pra juntá-las todas
e fazer uma ponte que nos leve à lua

Rápido!
Antes que essa nuvem dissolva
jorrando as cores todas
dos esmaltes cremosos, cintilantes
das unhas que se enfeitaram
e tentaram aqui cravar-se.

Sentados aqui
pescamos estrelas
pra juntá-las todas
e fazer uma ponte que nos leve à lua
onde aquecidos em nós
cantaremos os mortos...

E as estrelas surrupiadas
guardadas em nossos bolsos
são para o caso de a ponte se romper.
Essas irão para o teto de nosso quarto
pra nas negras noites pretas
não nos assustarmos
ao ouvirmos unhas desbotadas
arranhando nossa janela
enquanto baixinho canteremos os mortos...